Por que decidi empreender?

Por que decidi empreender

Queria que você conhecesse melhor a razão da Chez Petite Margot existir.

Sou de uma família de comerciantes e desde pequena vivi a realidade de um pequeno negócio. Apesar da minha mãe ser contadora, quando nasci ela ficou em casa cuidando de minha irmã e de mim. Meu pai nessa época era taxista e passava o dia inteiro trabalhando mas o dinheiro que ele ganhava não era suficiente para sustentar uma família de 4 pessoas. Foi aí que eles encontraram um novo ofício, apareceu a oportunidade de um negócio próprio! Eles não tinham a menor ideia do que era cuidar de uma loja de doces e salgados mas investiram todas as economias de anos e durante um mês eles colocaram a mão na massa para aprender como administrar e começaram. Eu tinha 5 anos nessa época e tudo que tenho hoje foi fruto desse negócio e dessa loucura doce.

Tenho muito orgulho dessa força que os dois tiveram em encontrar uma saída e lembro deles passando noites e noites trabalhando para entregar encomendas para casamentos.

Lembro das tardes que eu passava na loja depois da escola. Nessa época eles tinham 2 lojas e precisavam que alguém ficasse no caixa enquanto meu pai resolvia algum problema na rua. Eu amava a loja, adorava conversar com os “fregueses” (essa era a forma que meu pai chamava os clientes) e como era bom estar ali tocando uma loja “nossa”, uma loja que as pessoas gostavam e frequentavam.

Meus pais no entanto não queriam esse futuro para nenhuma filha, eles trabalhavam muito, meu pai acordava todo dia às cinco da manhã para chegar cedo na loja e voltava para casa só depois das vinte horas. Todo o orçamento da família estava focado na nossa educação. Minha mãe dizia que precisávamos estudar, fazer faculdade e trabalhar na nossa profissão para conquistarmos nossos sonhos.

Eu sou engenheira, minha irmã mais velha fisioterapeuta e a mais nova odontologista. Como todos da minha geração, tínhamos que conquistar o mundo trabalhando na nossa profissão! Não me arrependo das minhas escolhas mas sempre quis no fundo do coração ter um negócio próprio, por muito tempo pensei em ficar com a loja dos meus pais mas a vida vai levando a gente por outros caminhos e isto acabou não acontecendo. Pensava em abrir um restaurante, uma livraria com bistrô, uma papelaria, várias ideias vieram e foram embora pois sempre tive meu emprego e não precisava empreender.

Sempre tive jeito para trabalhos manuais, desde pequena gostava de tricô, crochê, bordado, costura, pintura com lápis de cor, desenhar, recortar, colar, etc. Minha mãe e minha avó me ensinaram essas artes manuais como passatempo já que nas férias não costumávamos viajar, então como distrair meninas em casa o dia inteiro? Fazendo arte, é claro. Exerci estas atividades como hobby, cheguei até a fazer bonequinhos que minha irmã vendia para as amigas da escola e cheguei a fazer uma encomenda de 70 palhacinhos para uma festa de aniversário. Não sabia mas foi meu primeiro empreendimento.

Por que decidi empreender
Esses são os bonequinhos

Aí o tempo foi passando, me casei e minha filha nasceu e esse evento mudou muito minha forma de ver a vida. Como um “serzinho” tão pequeno é capaz de mudar os nossos valores. Minha vontade era ficar com ela em casa para sempre, depois da licença maternidade voltar a trabalhar foi uma tortura, deixar a minha pequena na creche todo dia e ficar o dia todo fora doeu muito, mas a gente acostuma e para manter a vida que temos precisamos trabalhar mesmo que isso diminua o tempo que passamos com quem amamos, não é mesmo? Hoje penso que não.

Então a coceirinha do empreendedorismo começou novamente, agora mais forte. Ter mais tempo com a minha filha, trabalhar de casa, fazer coisas que me dão um enorme prazer e paz interior. Aí surgiu a Chez Petite Margot, o nome veio do meu amor pelo francês e o ofício, ah esse é o amor pelo papel, trabalhos manuais, artesanais, feito à mão que possuam alma, não um artigo igual a tantos outros, um artigo único feito com o coração por alguém que ama artesanato, ama empreender e estar com pessoas.

Quero um mundo mais artesanal, mais “craft” onde os valores de antigamente estejam presentes em cada peça. Essa é forma que eu quero viver a vida e que quero passar adiante, e é aqui que vou mostrar tudo que eu aprendi até hoje.

Bisous,
Margot

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